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Ibirama comemora 121 anos de colonização

07/11/2018 16:49

Por Sandra Maria Secchi:

 

Em 8 de novembro de 1897, deu-se a chegada de Alfred Wilhiam Sellin e sua comitiva, para fazer o reconhecimento do território e fundar uma colônia que serviria para assentar imigrantes alemães. Navegando em canoas pelo rio Itajaí do Norte, a comitiva chegou na desembocadura do Ribeirão Taquaras, local próximo ao atual Centro Administrativo Ivo Muller, sede da Administração Municipal de Ibirama, e da Câmara Municipal, sede do Poder Legislativo de Ibirama.

 

Sellin, diretor da Sociedade Colonizadora Hanseática, fundou a sede da colônia assim que a comitiva desembarcou e chamou-a de Hammonia, antigo nome da cidade de Hamburgo, onde foi criada a Sociedade Colonizadora. O nome faz referência à deusa da Mitologia Grega e consta no hino da cidade de Hamburgo, e significa a personificação da paz e da concórdia: “harmonia”. Sim, nossa terra e o orgulho que temos por ela, têm origens nobres.

 

É oportuno lembrar que naquele dia a comitiva veio fazer a demarcação de área das terras concedidas pelo governo de Santa Catarina à Sociedade Colonizadora, por meio de contrato no valor de cento e oitenta e nove contos, quatrocentos e noventa e nove mil e cinquenta réis, pela área de 127 mil e 318 hectares. Este trabalho teve a duração de quase dois anos.

 

Segundo informações obtidas em documentos do Arquivo Público Municipal de Ibirama, para os trabalhos de demarcação, a comitiva subiu o rio Itajaí do Norte até a serra Dobrada, divisora dos rios denominados, Denecke e Prata, sendo considerada terra suficiente para assentamento dos imigrantes alemães que se propuseram a vir ao Brasil pelo período de 20 anos. Na terra demarcada estavam incluídos os territórios dos atuais municípios de Presidente Getúlio, Dona Emma, Witmarsun, José Boiteux e Vitor Meireles, emancipados a partir de 1954.

 

Ao terminar a demarcação, chegou à nova colônia o primeiro imigrante, o professor Willy Liederval e sua esposa, vindos de Brusque, em julho de 1899. Para receber os demais imigrantes, foi aberta uma estrada de acesso à sede da colônia, às margens do Ribeirão do Cocho, até a confluência do Ribeirão Taquaras, e de lá até o encontro com o rio Hercílio. Em novembro daquele ano chegaram por esse caminho as famílias dos imigrantes do além-mar, cujos nomes estão gravados no monumento construído em homenagem aos imigrantes, na Praça José Deeke.

 

Os imigrantes vieram de navios, que aportavam no porto de Itajaí ou de São Francisco do Sul. Na colônia eram hospedados, inicialmente, em um galpão construído especialmente para abrigar até cem pessoas. Ficavam alojados por três meses, tempo mínimo necessário para abrir picada até o lote de terra adquirido, fazer abertura na floresta para construir a casa e plantar a roça para seu sustento. Os lotes não eram superiores a 10 hectares e foram pagos em cinco anos após sua ocupação.

 

O trabalho na agricultura, a criação de gado leiteiro e a exploração da madeira, foram as atividades que alavancaram o desenvolvimento da colônia Hammonia, principalmente com a conclusão da Estrada de Ferro, em 1909. Trouxeram na bagagem a técnica secular de construção de casas denominada ‘enxaimel’, de origem alemã, que podemos ver preservadas revelando o traço cultural europeu. Trouxeram na bagagem os hábitos culturais como idioma, gastronomia, dança, música e esportes como tiro ao alvo, bocha e bolão. Também trouxeram na bagagem o espírito do associativismo, responsável pela manutenção das escolas, do hospital, das igrejas e das atividades de lazer.

 

Podemos considerar os imigrantes desbravadores heróis, pois tiveram que enfrentar inúmeras dificuldades para se estabelecer. Habituados ao clima europeu, tiveram que adaptar-se ao clima tropical e suas vicissitudes, considerando as altas temperaturas, chuvas intensas, insetos, doenças estranhas e enfrentar animais selvagens. Além do árduo trabalho de abrir a floresta para instalar sua colônia, fazer a plantação das roças e criar gado leiteiro, tiveram que enfrentar o homem nativo que habitava a região. Foram inúmeros embates com os indígenas das nações Xokleng, Kaingang e Guarani. Sofreram investidas sistemáticas às roças e casas, pois os indígenas, como donos das terras há milênios, não hesitaram em defender seu espaço, cultura e a própria sobrevivência.

 

Para minimizar esses conflitos o governo de Santa Catarina solicitou ao Serviço de Proteção ao Índio (SPI), que promovesse a pacificação daqueles povos. Em 1914 foi enviado para a colônia o pacificador Eduardo de Lima e Silva Hoerhann, com a incumbência de providenciar o assentamento dos indígenas nômades em local escolhido pela Sociedade Colonizadora Hanseática. A convivência, então, foi sendo mais pacífica entre eles, imigrantes e indígenas. No entanto, em depoimento de Eduardo no final de sua vida concluiu: “pacificar o índio é o crime dos crimes”, referindo-se à imposição cultural sobre ele.

 

Hammonia foi crescendo e a diversidade cultural se estabelecendo com a chegada de imigrantes de várias origens como a italiana, ucraniana, poloneza e luso-brasileiros vindos de várias partes de Santa Catarina, constituíndo uma população com rica diversidade cultural ao longo de sua história.

 

Nomes e hábitos trazidos de berço e cultivados até os dias atuais, remetem as origens da colonização. Muitos imigrantes se destacaram pelo relevante serviço que prestaram a coletividade na recente colônia ou com nomes importantes da empresa colonizadora. Com seus nomes foram batizadas várias localidades, como são lembrados Scharlach, Gustav Richard, Wiegant, Plate, Sellin, Stettin, entre outros.

 

A saudade da terra natal pode ser sentida pela denominação atribuída às localidades tais como Neu Bremen, Neu Zurick, Neu Berlin, Neu Breslau, entre outras.

 

Aos imigrantes colonizadores rendemos nossas homenagens pela coragem, ousadia e persistência em transformar essa terra em seu lar. Deixaram-na a seus descendentes com a missão de promover qualidade de vida a todos habitantes e fazer dela nossa terra, nosso orgulho.

 

Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Ibirama
Texto: Sandra Maria Secchi

Fotos: Arquivo Público Municipal de Ibirama

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